Calibração de ECG: como garantir precisão nos resultados

A calibração de ECG (eletrocardiógrafo) deve ser feita com o máximo de atenção por instituições de saúde, pois isso é fundamental para garantir maior precisão nos diagnósticos cardiológicos.
Até mesmo os equipamentos mais modernos podem ter variações de leituras ao longo do tempo, seja por desgaste natural ou problemas técnicos no aparelho.
Para te ajudar a evitar qualquer problema na sua clínica, preparamos este artigo onde apresentamos quais são os padrões de calibração ECG, quando fazer, quais riscos você evita e como obter mais confiabilidade com apoio especializado.
O que é a calibração de ECG e qual a sua importância?
Quando falamos de calibração de eletrocardiógrafo, estamos nos referindo à verificação dos parâmetros técnicos do equipamento, como a amplitude do sinal cardíaco e a velocidade do traçado, por exemplo. É importante que todas as funcionalidades estejam operando corretamente, pois mesmo as pequenas distorções podem comprometer a análise médica, já que o exame depende de medidas extremamente sensíveis.
Caso o equipamento não esteja calibrado, o cardiologista pode interpretar erroneamente aumentos ou reduções na amplitude das ondas, variações no intervalo PR, alterações no segmento ST ou características que imitam patologias inexistentes.
- Leia também: Ritmo sinusal no ECG: o que é, como interpretar e quais condutas tomar
Como funciona a calibração de eletrocardiograma
O processo de calibração deve seguir padrões internacionais, como os definidos pela AHA (American Heart Association) e pela IEC (International Electrotechnical Commission) , que determinam como os equipamentos devem responder a um sinal elétrico padrão.
Em termos práticos, a calibração vai verificar se o ECG está representando no papel ou na tela um sinal de 1 mV como uma deflexão vertical de 10 mm.
O técnico responsável deve então aplicar sinais de teste conhecidos e comparar o resultado exibido pelo equipamento. Se houver discrepância, devem ser realizados ajustes mecânicos, eletrônicos ou de software.
Esse processo de calibração serve para garantir que o ECG:
- registre variações elétricas de maneira proporcional;
- mantenha o traçado estável;
- opere dentro dos padrões de segurança.
Vale ressaltar que essa calibração deve ser feita com frequência em sua instituição de saúde, de modo a garantir que o eletrocardiógrafo esteja sempre funcionando com 100% de eficácia.
Padrões de calibração ECG que garantem confiabilidade
Como mencionado anteriormente, a calibração segue parâmetros internacionais, mas, listamos abaixo alguns padrões essenciais relacionados ao uso clínico:
1. Amplitude padrão de 1 mV por 10 mm
Esse é o padrão universal relacionado a amplitude. Sempre que o aparelho gera o pulso de calibração, a altura do traçado deve medir 10 mm. Portanto, 1 mV de sinal cardíaco represente exatamente 10 mm no traçado.
2. Velocidade de registro
O padrão é que o exame seja realizado numa velocidade de 25 mm por segundo. A variação incorreta gera interpretações equivocadas de intervalos.
3. Frequência de resposta
O ECG deve captar frequências entre 0.05 Hz e 150 Hz. Frequências fora desse intervalo podem mascarar arritmias, ondas P pequenas ou artefatos.
Quando calibrar o seu eletrocardiógrafo
Segunda a RDC 02/2010 da ANVISA e a norma NBR 15493, o eletrocardiógrafo deve ser calibrado obrigatoriamente nas seguintes situações:
- Uma vez ao ano como parte de um plano de manutenção preventiva;
- Sempre que houver troca de peças.
Além disso, é recomendado que as instituições de saúde fiquem atentas aos resultados do exame e sempre que notar algum traçado incompatível com o histórico do paciente ou outro tipo de alteração, seja realizada a calibração do equipamento.
É importante que a calibração seja realizada por empresas certificadas com rastreabilidade à RBC e INMETRO.
Quais são os riscos de usar um ECG descalibrado
- Diagnósticos incorretos;
- Interpretação equivocada de arritmias;
- Atraso em intervenções emergenciais;
- Aumento nas devolutivas médicas;
- Impacto negativo na credibilidade da instituição;
- Necessidade de manutenção corretiva mais cara.
Como a telemedicina qualificada potencializa a precisão do ECG
Ao contratar empresas de telemedicina para emitir laudos de ECG, sua clínica ganha benefícios como agilidade na entrega dos resultados, maior produtividade e redução de custos operacionais. Mas, para que os resultados dos laudos sejam seguros, é fundamental que os equipamentos estejam devidamente calibrados.
Quando o exame é transmitido digitalmente, a qualidade do sinal precisa ser ainda mais padronizada, de modo a garantir que o cardiologista receba um traçado fiel ao captado no equipamento remoto.
Além disso, a integração com softwares médicos reforça a necessidade de equipamentos calibrados e auditáveis. Em um fluxo digital, cada etapa, da captura ao armazenamento, exige precisão técnica e rastreabilidade para que o laudo seja confiável.
A recomendação geral é anual. Contudo, ambientes com alto volume de exames devem reduzir esse intervalo para garantir estabilidade contínua.
Sim. Alterações nos componentes podem gerar variações no sinal. Sempre que houver substituições importantes, é ideal recalibrar.
Traçados muito altos ou muito baixos, ruídos constantes e diferenças abruptas em relação ao histórico do paciente são sinais comuns.
Sim. Um aparelho calibrado elimina distorções técnicas e possibilita análises mais confiáveis de ondas, intervalos e complexos.
Ela corrige distorções de amplitude e velocidade, mas ruídos também podem estar relacionados ao ambiente e à posição dos eletrodos.
Não é recomendado. Ajustes incorretos podem agravar erros e comprometer o funcionamento.
Sim. A validade costuma ser anual e deve ser renovada conforme normas técnicas e rotina da instituição.

Médico Cardiologista formado pela UNEC e Especialista em Ecocardiografia pela FATESA. Possui vasta experiência em atendimento ambulatorial em Cardiologia e Saúde da Família, urgência e emergência, enfermaria hospitalar, além de atuar como ergometrista. Também possui expertise em Telemedicina, sendo especialista em laudos de Holter, Eletrocardiograma e MAPA. Atualmente, é Coordenador da Unidade Coronariana do Hospital Vila da Serra, Preceptor da Especialização em Cardiologia Clínica do mesmo hospital e referência técnica da Clínica Cuidar Saúde, em Sete Lagoas, MG. CRM MG 61303, RQE 43711 e LinkedIn @jailton-neves-fernandes.