Protocolo de Manchester: o que é e como funciona esse sistema de triagem e classificação de risco

Saber identificar a gravidade de um paciente no momento certo pode ser a diferença entre salvar ou perder uma vida. É exatamente para isso que existe o Protocolo de Manchester: um sistema de triagem adotado em mais de 25 países que organiza o atendimento nas unidades com base em critérios clínicos objetivos, e não na ordem de chegada.
Neste artigo, você vai entender mais sobre essa classificação. Continue a leitura e confira:
- O que é Protocolo de Manchester?
- Como funciona o Protocolo de Manchester?
- Quais são os equipamentos necessários para a Classificação de Risco Manchester?
- Quais são os benefícios esperados?
- Quem é responsável pela execução?
- Quais são as consequências da Triagem de Manchester?
- FAQ: dúvidas frequentes
- Considerações finais
Resumo
- Criado em 1994 e aplicado em 1997 na Inglaterra, o Protocolo de Manchester é um método objetivo de triagem e classificação de risco hospitalar. Ele substitui critérios subjetivos por discriminadores técnicos para determinar a prioridade do atendimento com base na gravidade do quadro e no tempo seguro de espera, e não por ordem de chegada;
- A priorização é identificada por pulseiras coloridas ligadas a cinco níveis: vermelho (emergência), laranja (muito urgente), amarelo (urgente), verde (pouco urgente) e azul (não urgente);
- Para a execução precisa da triagem pela enfermagem, o consultório deve dispor de prontuários e etiquetas de identificação, além de um kit de equipamentos calibrados: termômetro infravermelho, glicosímetro, oxímetro de pulso, esfigmomanômetro, estetoscópio e relógio cardíaco;
- Por determinação legal e diretrizes do Ministério da Saúde, a triagem deve ser realizada exclusivamente por enfermeiros ou médicos de nível superior. Para aplicar o método no Brasil, o profissional exige capacitação técnica e comportamental homologada obrigatoriamente pelo Grupo Brasileiro de Classificação de Risco (GBCR), garantindo decisões ágeis sob pressão.
- A implementação do protocolo melhora a previsibilidade do atendimento, racionaliza os custos hospitalares e diminui erros médicos. Ao otimizar o fluxo administrativo e conscientizar a população a buscar unidades básicas para casos não urgentes, o sistema mitiga a superlotação e eleva o índice de satisfação geral na assistência à saúde.
O que é Protocolo de Manchester?
O Protocolo de Manchester é um método de triagem de pacientes e classificação de riscos que determina escalas de urgência, ou seja, os pacientes que necessitam de atendimento médico são classificados de acordo com a gravidade do quadro clínico apresentado e o tempo de espera recomendado.
Esse protocolo foi aplicado pela primeira vez na cidade de Manchester, na Inglaterra, em 1997, e por isso tem esse nome. No Brasil, o primeiro estado a fazer uso desse procedimento foi Minas Gerais, em 2008, na tentativa de reduzir o tempo de espera e as filas nas unidades de pronto atendimento dos hospitais.
– Leia também: Teletriagem: o que é e quais seus benefícios para o diagnóstico?
Como funciona o Protocolo de Manchester?
O Protocolo de Manchester funciona com base em uma escala adotada pela instituição de saúde, geralmente, dividida em cores. Ao chegar à unidade, o paciente é examinado por uma enfermeira que avalia seu quadro clínico geral, por meio da anamnese médica e checagem dos sinais vitais.
No entanto, a Classificação de Manchester não envolve uma avaliação subjetiva, mas baseada em critérios específicos, chamados discriminadores, tais como fluxogramas e algoritmos que classificam a gravidade.
A classificação é feita de acordo com as queixas, sintomas e com os principais fatores, ou seja, aqueles que impactam o tempo em que o paciente pode esperar, tais como: risco de morte, escala de dor, hemorragia, nível de consciência, temperatura, glicemia, entre outros.
Cores do Protocolo de Manchester
Após a avaliação, o paciente recebe uma pulseira colorida de acordo com sua posição na escala de cinco níveis estabelecida pelo sistema, indicando o tempo de espera segundo a gravidade: vermelho, laranja, amarelo, verde ou azul.
- Vermelho: emergência, atendimento imediato. Significa risco de morte iminente. Exemplos disso são os casos de traumatismos, acidentes automobilísticos, entre outros. Sendo assim, as estratégias terapêuticas devem ser objetivas e imediatas para evitar danos maiores ou a morte no paciente;
- Laranja: muito urgente e precisa ser atendido o mais rápido possível. São considerados urgentes os casos de suspeita de acidente vascular encefálico, infartos etc. Nessas situações, há uma janela de tempo para intervenção terapêutica. Sendo assim, é preciso muita atenção para não gerar complicações clínicas ou sequelas nos pacientes;
- Amarelo: urgente, necessita avaliação mais detalhada, mas tem condições clínicas de aguardar. Normalmente são situações de processos infecciosos, que podem requerer medicamentos endovenosos;
- Verde: pouco urgente, pode aguardar assistência médica ou ser encaminhado para outra unidade de saúde. São condições pouco complexas como pequenos ferimentos, infecções autolimitadas como o resfriado, entre outras possibilidades;
- Azul: não urgente, ou seja, deve ser acompanhado no consultório médico ou ambulatorialmente. São situações em que os pacientes podem aguardar até 240 minutos, não tendo resolutividade do problema dentro do ambiente hospitalar. Por isso, são aconselhados a buscarem os consultórios médicos em outro horário.

Quais são os equipamentos necessários para a Classificação de Risco Manchester?
Para que a triagem seja feita corretamente, avaliando o estado geral do paciente e os discriminadores citados acima, é necessário que alguns materiais hospitalares e equipamentos estejam disponíveis. São eles: termômetro, glicosímetro, oxímetro, esfigmomanômetro, estetoscópio, relógio cardíaco, etiquetas de identificação e prontuários.
- Termômetro: recomendável àquele que faz aferição da temperatura por infravermelho, por ser mais rápido e evitar o contato com os pacientes. Na ausência dele, os digitais são os substitutos. Temperaturas acima de 40 graus têm prioridade de atendimento;
- Glicosímetro: medidas capilares da glicemia podem comprovar as queixas relatadas pelos pacientes ou cuidadores. Quando atingem patamares extremos, os pacientes devem ser encaminhados à emergência;
- Oxímetro: a saturação é uma das análises cruciais para detectar obstrução de ar pelas vias aéreas e serve como um norteador de condutas emergenciais;
- Esfigmomanômetro: equipamento fundamental nas triagens hospitalares que deve estar calibrado adequadamente para evitar resultados falsos;
- Estetoscópio: complementa as análises da pressão sistêmicas para apurar a condição cardiovascular do paciente;
- Relógio para contagem da frequência cardíaca: pode ser o artefato pessoal ou aqueles destinados a essa finalidade;
- Etiquetas ou pulseiras para identificação segundo a escala de gravidade: para facilitar a visualização dos profissionais e, consequentemente, as intervenções;
- Prontuários: documentos digitalizados ou impressos que fornecem informações objetivas para a tomada de decisões.
Quais são os benefícios esperados?
Implantar o Protocolo de Manchester proporciona ao serviço de saúde um atendimento muito mais eficaz, considerando que o tempo pode ser crucial para salvar vidas. Além disso, permite a melhor organização da demanda, possibilitando o encaminhamento de pacientes para outras unidades, evitando a superlotação.
A padronização do serviço garante que o atendimento tenha mais qualidade e melhora a previsibilidade do tempo de espera. Por outro lado, a gestão de recursos é otimizada, uma vez que reduz a necessidade de procedimentos de emergência, decorrentes da inobservância de fatores de risco antes do agravamento da condição clínica do paciente.
Além disso, com a conscientização da população a respeito desse protocolo, pessoas com problemas clínicos de menor gravidade já se encaminham para outros serviços, o que aperfeiçoa também o processo de atendimento.
Quem é responsável pela execução?
A legislação atual determina que cabe à equipe de enfermagem designar o profissional responsável pela execução do Protocolo de Manchester na unidade de saúde em questão, clínica ou hospital.
É importante que o enfermeiro escolhido tenha habilidades como agilidade e boa comunicação no atendimento ao paciente, além da devida capacidade para exercer a atividade. A qualificação do responsável pela triagem é fundamental para que não ocorram erros, que possam comprometer a qualidade geral do atendimento prestado pela instituição.
Ademais, é preciso que haja comprometimento de toda a equipe clínica, a fim de que a proposta seja efetiva, considerando também os insumos farmacêuticos disponíveis e a infraestrutura necessária para dar continuidade ao atendimento.
Curso de protocolo de Manchester
Para colocar o Protocolo em prática com segurança e eficiência, o enfermeiro responsável pela triagem precisa de capacitação específica na metodologia. O curso de Protocolo de Manchester habilita os profissionais a conduzir a classificação de risco de forma padronizada, seguindo os discriminadores, fluxogramas e algoritmos que norteiam as decisões clínicas.
Durante a formação, os enfermeiros aprendem a interpretar corretamente os sinais e sintomas dos pacientes, manejar os equipamentos para a triagem e aplicar os critérios de cada nível de prioridade. O treinamento aborda, ainda, situações de maior complexidade, como o atendimento a pacientes em estado crítico, com risco de vida iminente, que exigem respostas rápidas e assertivas.
Além do conhecimento técnico, a capacitação desenvolve competências comportamentais indispensáveis para a função, como comunicação clara com o paciente e os familiares, raciocínio clínico ágil e tomada de decisão sob pressão.
Vale ressaltar que a qualificação contínua dos profissionais de enfermagem não é apenas uma recomendação, mas um requisito para garantir que o protocolo seja executado sem falhas. Erros na classificação de risco comprometem todo o fluxo de atendimento e podem gerar consequências graves para os pacientes.
Quais são as consequências da Triagem de Manchester?
As consequências da implantação do Protocolo de Manchester se refletem nas questões assistenciais, administrativas e financeiras. Com isso, haverá a racionalidade do cuidado, menor número de erros médicos e, consequentemente, a diminuição das sequelas de um transtorno clínico.
Nesse sentido, serão também observadas mudanças no fluxo administrativo, tornando-o mais eficiente em seus propósitos. Dessa forma, haverá redução de funcionários e melhoria no atendimento.
O tempo de espera para o atendimento é um dos fatores que mais influencia o nível de satisfação dos pacientes. Em virtude disso, a adoção de estratégias de triagem, como o Protocolo de Manchester, é crucial para garantir a eficiência e a qualidade dos serviços de saúde.
FAQ: dúvidas frequentes
Reunimos a seguir as principáis dúvidas sobre o tema. Confira!
É um método de triagem de pacientes e classificação de riscos que determina escalas de urgência. Na prática, os pacientes que necessitam de atendimento são classificados de acordo com a gravidade do quadro clínico e o tempo de espera recomendado, garantindo que os casos de maior risco recebam atendimento prioritário, independentemente da ordem de chegada à unidade de saúde.
O protocolo foi desenvolvido em 1994 e passou a ser aplicado pela primeira vez no Manchester Royal Infirmary, na cidade de Manchester, em 1997, daí a origem do nome. No Brasil, o primeiro estado a adotar o procedimento foi Minas Gerais, em 2008, na tentativa de reduzir o tempo de espera e as filas nas unidades de pronto atendimento dos hospitais.
O protocolo foi inventado pelo médico e professor Kevin Mackway Jones, que desenvolveu a metodologia com o objetivo de instituir nas unidades de saúde um processo de classificação de prioridade de atendimento por meio de uma triagem simples e eficaz.
Funciona com base em uma escala dividida em cores. Ao chegar à unidade, o paciente é avaliado por um enfermeiro que verifica seu quadro clínico geral. A classificação não envolve avaliação subjetiva, mas critérios específicos chamados discriminadores, como fluxogramas e algoritmos que consideram fatores como risco de morte, escala de dor, hemorragia, nível de consciência, temperatura e glicemia. Ao final, o paciente recebe uma pulseira colorida que indica o nível de prioridade: vermelho, laranja, amarelo, verde ou azul.
Os exemplos variam conforme a cor atribuída. No nível vermelho, enquadram-se casos de traumatismos e acidentes automobilísticos, situações de risco de morte iminente que exigem atendimento imediato. No laranja, estão as suspeitas de acidente vascular encefálico e infartos, em que há uma janela de tempo para intervenção. O amarelo abrange processos infecciosos que podem requerer medicação endovenosa, enquanto o verde contempla condições de baixa complexidade, como pequenos ferimentos e infecções autolimitadas. Por fim, o azul reúne situações não urgentes, em que o paciente pode aguardar até 240 minutos ou ser orientado a buscar atendimento ambulatorial.
A Portaria nº 2.048, de 5 de novembro de 2002, do Ministério da Saúde, estabelece que o processo de triagem deve ser realizado por profissional de saúde de enfermagem, de nível superior, após treinamento específico e uso de protocolos pré-estabelecidos. Além disso, o Ministério da Saúde publicou o Manual Técnico para Organização das Unidades de Urgência e Emergência em conformidade com o dispositivo Acolhimento com Classificação de Risco, reforçando a adoção de metodologias padronizadas como o Protocolo de Manchester nas unidades de saúde do país.
Para aplicar o Protocolo no Brasil, é imprescindível ser certificado pelo Grupo Brasileiro de Classificação de Risco (GBCR), que é oficialmente a única instituição certificadora no país. A capacitação pode ser realizada nas modalidades presencial e a distância, sendo voltada exclusivamente a enfermeiros e médicos de nível superior.
Considerações finais
Como você pôde ver, o Protocolo de Manchester é uma ferramenta de triagem clínica utilizada para dar prioridade aos pacientes em condições fisiopatológicas mais graves, direcionar os indivíduos que apresentam menor complexidade e otimizar a racionalidade da assistência.
Para tanto, é essencial que os enfermeiros o executem de forma apropriada e solicitem a colaboração dos demais profissionais clínicos para a excelência do procedimento.
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Para mais informações, consulte o site do GBCR, Grupo Brasileiro de Classificação de Risco.
