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Como implementar teleconsulta na rotina da clínica e aumentar o ticket médio

teleconsulta no acompanhamento de pacientes

Quantas consultas especializadas sua clínica deixou de realizar no último mês, não por falta de demanda, mas por falta de agenda ou de especialista disponível?

Se a resposta for “algumas” ou “não sei ao certo”, este artigo foi feito para você.

A teleconsulta já deixou de ser novidade no setor de saúde. O que ainda é novidade é saber que é possível integrá-la à operação de forma simples e rápida. 

Principais conclusões do artigo

  • A implementação de teleconsulta segue três etapas sequenciais: onboarding, integração ao fluxo existente, piloto controlado com 3 a 5 casos e escala gradual por especialidade.
  • O modelo financeiro é baseado em revenda com spread: a clínica contrata o serviço da plataforma e o repassa ao cliente final com margem, sem necessidade de vínculo médico próprio.
  • O impacto no ticket médio ocorre em dois movimentos simultâneos: geração de receita incremental por consulta e retenção de clientes que antes encaminhavam o trabalhador a outros serviços.
  • Cardiologia, Neurologia e Pneumologia são as especialidades com maior aderência ao perfil de clínicas SST e medicina do trabalho, especialmente para funções de risco ou exposição a agentes ocupacionais.
  • Nas primeiras quatro semanas, o indicador prioritário é volume e execução do fluxo, não receita. A partir da quinta semana, o foco passa para ticket médio e receita incremental.

Passo a passo: do onboarding ao primeiro agendamento

Implementar teleconsulta não precisa ser um projeto de meses. Com o processo certo, é possível realizar o primeiro atendimento no mesmo dia da contratação da plataforma.

Etapa 1: Onboarding e configuração inicial

Nesta fase, o foco é configurar o ambiente antes de qualquer atendimento. O que deve ser feito:

  • Cadastro dos usuários operacionais na plataforma (recepcionistas, coordenadores)
  • Definição das especialidades disponíveis que serão ofertadas inicialmente
  • Treinamento da equipe de recepção no fluxo de agendamento

Dica: reserve 2 a 3 horas para o treinamento inicial da equipe. É tempo suficiente para dominar o fluxo básico de agendamento.

Etapa 2: Integração com o fluxo existente

O agendamento de teleconsultas deve seguir um caminho paralelo ao da agenda presencial, sem disputar os mesmos recursos. Na prática:

  • A recepcionista identifica a demanda
  • Consulta a disponibilidade na plataforma de teleconsulta
  • Agenda e envia o link/instruções para o paciente
  • O especialista realiza o atendimento remotamente
  • O resultado é registrado pelo paciente e disponibilizado para a clínica

O fluxo presencial não é interrompido. A teleconsulta corre em paralelo, adicionando capacidade sem subtrair estrutura.

Etapa 3: Primeiro agendamento e escala gradual

Antes de abrir para toda a demanda, nossa dica é a realização de um piloto com 3 a 5 casos. Escolha pacientes com atendimentos não urgentes. Dessa forma, é possível identificar pontos de fricção no fluxo antes de escalar, além de ter uma experiência concreta para apresentar à equipe médica e à direção.

Feita a validação do piloto, é hora de escalar:  amplie os horários disponíveis e comunique o novo serviço à sua carteira de clientes. O crescimento deve ocorrer de forma controlada, sem sobrecarga operacional.

Leia também: Os erros mais comuns no acompanhamento de pacientes

Como estruturar o fluxo de agendamento para teleconsulta

Um fluxo bem estruturado é fundamental para implementar a teleconsulta na sua clínica. Listamos abaixo quatro pontos importantes para a eficiência do processo:

  • Ponto de entrada da demanda: alguém na clínica precisa ser o responsável por identificar e encaminhar a demanda por teleconsulta. Pode ser a recepção, o médico do trabalho ou o coordenador clínico. 
  • Critérios de triagem: nem toda demanda é para teleconsulta. Casos que necessitam de avaliação especializada sem urgência presencial vão para teleconsulta, enquanto casos que exigem exame físico ou procedimento, para o presencial. 
  • Confirmação e preparação do paciente: a experiência começa antes da consulta. O paciente precisa receber instruções claras sobre como acessar, ter uma confirmação ativa na véspera e saber o que ter em mãos: exames anteriores e histórico relevante.
  • Registro e rastreabilidade: após o atendimento, o registro da consulta (data, especialidade, médico, conduta) deve estar acessível à clínica. Isso é especialmente relevante no segmento de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), onde o histórico clínico do trabalhador integra o processo de aptidão funcional.

Como a teleconsulta gera receita adicional: o modelo de revenda com spread

Uma pergunta que ouvimos muito antes da contratação da teleconsulta é: “Mas onde está o meu ganho financeiro nisso?”

A resposta está no modelo de revenda com spread: a clínica contrata as teleconsultas da plataforma a um determinado custo e as repassa aos seus clientes finais com uma margem, exatamente como outros serviços terceirizados que você já opera.

Como se calcula o impacto no ticket médio?

O raciocínio é simples. Imagine uma clínica de medicina do trabalho com 200 trabalhadores atendidos por mês. Ao adicionar a teleconsulta especializada, dois movimentos acontecem:

  1. Receita nova por consulta: cada teleconsulta adicionada ao atendimento gera uma receita incremental que não existia antes. 
  2. Retenção e fidelização do cliente: a empresa contratante que antes precisava encaminhar o trabalhador a outra clínica, agora resolve tudo dentro do seu serviço. Isso aumenta o valor percebido, reduz o churn e fortalece o contrato.

Especialidades prioritárias: por onde começar

A escolha das especialidades para iniciar a oferta de teleconsulta deve ser guiada por dois fatores: alta demanda no perfil de clínica que você atende e adequação ao atendimento remoto.

Veja a seguir algumas opções: 

Cardiologia

Alta demanda em clínicas SST, especialmente para avaliação de trabalhadores com alterações em ECG ou que exercem funções com risco cardiovascular. A teleconsulta cardiológica com base em exames já realizados é bem estabelecida e aceita pela regulamentação vigente.

Perfil de uso: trabalhadores com alterações no ECG pré-admissional ou periódico; avaliação de aptidão para funções de risco.

Neurologia

A teleconsulta neurológica permite avaliação de quadros como cefaleia, episódios de tontura e acompanhamento de condições já diagnosticadas.

Perfil de uso: trabalhadores com queixas neurológicas recorrentes; avaliações que não avançam por falta de acesso ao especialista.

Pneumologia

Extremamente relevante para setores industriais com exposição a agentes físicos e químicos (mineração, construção, indústria têxtil). A consulta pneumológica complementa espirometrias e auxilia na conduta para trabalhadores com alterações pulmonares.

Perfil de uso: trabalhadores em ambientes com agentes inalatórios; acompanhamento de DPOC, asma ocupacional ou siliose.

Leia tambémTelemedicina e teleconsulta: entendendo a diferença entre os conceitos

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Perguntas frequentes sobre teleconsulta para clínicas

A teleconsulta exige que a clínica tenha médicos especialistas próprios no quadro?

Não. No modelo de revenda com spread, a clínica contrata as consultas de uma plataforma de telemedicina e as repassa ao cliente final com margem. O vínculo médico é da plataforma, não da clínica.

A teleconsulta é regulamentada pelo CFM?

Sim. Tanto o telelaudo quanto a teleconsulta são regulamentados pela Resolução CFM 2.314/2022, que define as condições para a prática de telemedicina no Brasil.

Por quais especialidades é mais recomendável começar?

Cardiologia, Neurologia e Pneumologia têm maior aderência ao perfil de clínicas de medicina do trabalho. A escolha deve considerar a demanda real da base de clientes e a adequação ao formato remoto.

Como o SLA de teleconsulta impacta o segmento SST?

No SST, o trabalhador frequentemente precisa da conduta especializada para retornar à função ou para compor o histórico clínico do PCMSO. Um SLA inadequado atrasa esse processo, gerando insatisfação tanto no trabalhador quanto na empresa contratante da clínica.

Qual é a diferença prática no ticket médio antes e depois da teleconsulta?

O ticket médio aumenta porque cada atendimento passa a incluir, potencialmente, uma consulta remota com spread embutido, receita que antes não existia. Além disso, o cliente que encontra mais serviços em um único fornecedor tende a ampliar o contrato.

Como identificar se o fluxo de teleconsulta está funcionando bem nas primeiras semanas?

Nas primeiras quatro semanas, os indicadores prioritários são volume de consultas realizadas e taxa de cancelamento. Um índice alto de não comparecimento costuma indicar problemas no fluxo de confirmação e preparação do paciente e não na demanda em si.

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